Bosch atenta ao gerenciamento logístico

23 July 2010

Sonia Moraes, de São Paulo

Depois de enfrentar dificuldades para adquirir matéria-prima, com a surpreendente retomada de vários setores industriais no primeiro trimestre deste ano – principalmente o automotivo –, o grupo Bosch, fabricante alemão de componentes para o setor automotivo, industrial, de construção e bens de consumo, busca agora superar as barreiras da falta de infraestrutura nos portos e aeroportos do Brasil.

“Passada a crise, a Bosch já trabalha com carga total e fornecedores no limite da capacidade. A grande preocupação está em garantir o suprimento de nossas fábricas e entregar os produtos aos clientes no prazo estabelecido”, afirma o diretor de Compras e Logística da Robert Bosch América Latina, Paulo Rocca.

Para exemplificar as dificuldades que a falta de infraestrutura causa à empresa com os atrasos na entrega de materiais, o diretor conta que às vezes é preciso fabricar outro produto que não estava programado para evitar parada na linha de produção.

“Quando a matéria-prima chega, temos de fazer horas extras para dar conta de produzir os componentes e entregar a tempo ao cliente, o que gera custo para a empresa”, afirma Rocca.

O diretor da Robert Bosch ressalta iniciativas que considera essenciais para a agilização do processo produtivo, como, por exemplo, a construção do Rodoanel. “Antes eram necessárias oito horas para entregar um produto ao cliente no trajeto de Campinas a São Paulo. Agora, com o novo acesso do Rodoanel, sabemos com mais segurança que o caminhão chegará ao destino no horário marcado”, comenta Rocca.


Planejamento
Assim como a produção, temos de planejar a logística olhando quatro anos à frente. “Hoje a logística vai muito além da simples entrega do produto”, ressalta Rocca. “Para a operação ser viável, é preciso colocar a qualidade certa no momento certo e no local certo”.

Para assegurar a qualidade em toda a operação logística, a Robert Bosch trouxe para o Brasil o programa mundial de treinamento Supply Chain Academy, voltado aos profissionais de logística.

“Este programa tem três anos de duração, e estamos trazendo para o Brasil os primeiros modelos de treinamento direcionados para as áreas de compras, suprimentos, logística e qualidade dos fornecedores”, explica Rocca.

O programa oferece, em médio prazo, uma plataforma para o intercâmbio internacional de melhores práticas, know-how e aumento da rede interna e dos parceiros externos. Rocca ressalta que conceitualmente as operações logísticas da Robert Bosch no Brasil seguem as normas mundiais da companhia, mas a prática desse serviço é adaptada de acordo com a realidade local.
 
Início das atividades
Com 56 anos de atividades no Brasil, a Robert Bosch possui atualmente 12 unidades de negócios e quatro plantas industriais no Brasil, sendo duas localizadas em Campinas (SP) e as outras em Curitiba (PR) e Aratu (BA), que empregam mais de 12.900 profissionais.

Para abastecer suas fábricas, a Robert Bosch adquire componentes de 350 fornecedores nacionais e importa vários itens da Europa e da Ásia – mercado que, segundo Rocca, tem oferecido preços bastante competitivos.

De fevereiro a junho de 2010, a Robert Bosch movimentou mensalmente, em média, 2.700 toneladas de produtos na importação e 1.500 toneladas na exportação, considerando todos os modais de transporte.

“A empresa vem tentando reduzir ao máximo os custos com embalagens”, afirma Rocca. “Cada tipo a ser utilizado depende do produto e da finalidade”.
Para as entregas de componentes automotivos, a Robert Bosch faz uso de transportadoras, mas para o despacho de produtos da linha de bens de consumo, atua com operadoras logísticas, que recebem, embalam e entregam as mercadorias aos clientes.

No modelo de distribuição de autopeças para as montadoras, a companhia utiliza somente embalagens retornáveis ou racks metálicos, no caso de cargas muito pesadas. Na distribuição de produtos para o aftermarket e bens de consumo, usa caixas de papelão. Já no setor industrial, as peças hidráulicas seguem em embalagens de madeira.

No recebimento, a empresa adota três modelos diferentes, por meio do milk run, com o sistema de entrega pelo fornecedor diretamente na linha de produção e por meio do cross docking, ou seja, a transportadora recebe vários produtos de pequenos fabricantes e faz a consolidação em São Paulo para uma única entrega. “É uma forma de agilizar o processo e reduzir custos”, analisa Rocca.


Departamento de Logística
No Departamento de Logística, considerando-se todas as fábricas e as unidades de negócios, a Robert Bosch mantém cerca de 500 funcionários para atender às operações, que são divididas em três blocos de logística: operacional, tática e estratégica. “Temos uma equipe dedicada para cada área e investimos constantemente na melhoria dos processos e no planejamento estratégico”, conta Rocca.

A empresa exporta para a Europa e os Estados Unidos a variedade de itens produzidos no setor automotivo, e os bens de consumo seguem para os países da América Latina e da Europa. A Robert Bosch utiliza os portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Itajaí (SC) para as exportações e importações dos seus produtos.


Modelos de operação
Depois da forte queda nas vendas em 2009, o grupo Bosch já sinaliza recuperação em 2010. Em comunicado, o presidente da Robert Bosch América Latina, Andreas Nobis, afirmou: “Este é um ano importante, e a empresa projeta crescimento entre 13% e 15% na região".

Segundo Nobis, mesmo com o aumento, as vendas ainda não atingiram os níveis anteriores à crise econômica mundial, devido à queda nas exportações. "A expectativa é de que o volume total de negócios seja retomado em 2011”, disse o presidente.

Nobis admitiu que, em 2009, a crise econômica global afetou o desenvolvimento da Robert Bosch na América Latina, derrubando o faturamento líquido da companhia em 22% – R$ 4,3 bilhões na região, incluindo o setor automotivo, de tecnologia industrial e bens de consumo e construção.

No Brasil, onde está a maior participação da Robert Bosch na América Latina, o faturamento líquido do grupo em 2009 foi de R$ 3,8 bilhões, 20% abaixo do registrado em 2008, principalmente em razão da queda nas exportações de tecnologias automotivas para os Estados Unidos e a Europa.

“Em 2010, o volume de exportação deve continuar baixo devido ao ‘custo Brasil’ e à valorização do real em relação ao dólar", analisou Nobis.

O setor automotivo representa 73% do faturamento do grupo na América Latina. “Queremos manter e até aumentar nossa participação no segmento automotivo, porém estamos focados na ampliação dos negócios nas áreas de bens de consumo, construção e tecnologia industrial”, afirmou Nobis.

Tais setores têm sido impulsionados principalmente pelos programas de incentivo do governo, como o PAC, “Minha Casa, Minha Vida” e os projetos de infraestrutura que serão realizados nos próximos anos para a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

 

Investimentos
O presidente da Robert Bosch destacou em comunicado que, mesmo com as dificuldades de 2009, a empresa manteve os investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Ele não divulga números, mas revela que, no Brasil, os aportes representaram cerca de 4% do faturamento do grupo no País.

Para 2010, a companhia pretende manter o percentual de investimentos, com foco principal nas tecnologias que contribuem para a conservação e a proteção do meio ambiente, tais como os sistemas bicombustíveis para veículos diesel e o Eco Starter, motor de partida utilizado no start/stop, que se desliga automaticamente quando o veículo está parado por longo período.

Neste ano já estão programados investimentos de R$ 45 milhões no Brasil, para a modernização e a ampliação da capacidade produtiva de algumas linhas de componentes automotivos, entre os quais bomba de combustível e corpo de borboleta para o sistema flex fuel.

www.bosch.com.br