Sonia Moraes
No primeiro semestre de 2010. as montadoras fabricaram 1,753 milhão de veículos, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, o que representou um crescimento de 19,1% em relação ao mesmo período de 2009. Com essa produção recorde, os fornecedores de componentes buscam aperfeiçoar cada vez mais os serviços de suprimentos e aumentar a eficiência do transporte.
“Devido ao forte aquecimento do mercado, o fluxo tem sido grande, mas estamos conseguindo atender à demanda normalmente”, afirma o gerente de Logística da fabricante de pneus Bridgestone do Brasil, João Luiz Moreira.
Logística especializada
A agilidade que a companhia tem garantido nas atividades de entrega, segundo Moreira, deve-se à estrutura adotada: “A Bridgestone trabalha com empresas especializadas em logística, o que permite atuar com programas atualizados e técnicas modernas de armazenagem, controle, expedição e monitoramento das cargas”, explica o gerente.
O controle do estoque de materiais, por exemplo, é feito com o sistema SAP, um moderno programa de gerenciamento, pelo método Fifo (First In First Out – primeiro a entrar, primeiro a sair). Para a coleta e a distribuição de componentes em todas as fábricas, a Bridgestone trabalha com 15 transportadoras que operam 95% dos serviços de frete.
O gerente de Compras da empresa, Geraldo Bregeiro, conta que o abastecimento das linhas de montagens de pneus ocorre de forma independente, em razão do grande e variado volume de materiais que chegam por carretas. Para facilitar as operações, a Bridgestone tem utilizado embalagens plásticas do tipo comum e retornáveis, além de metálicas. “Estamos eliminando as embalagens de madeira”, destaca o Moreira.
Diariamente a Bridgestone movimenta 150 caminhões que trazem matéria-prima e levam produtos acabados. Nas importações de materiais, a empresa utiliza aproximadamente 25 caminhões; nas exportações de produtos acabados, conta com 15 veículos pesados.
Para controlar as operações de exportação e importação de componentes e pneus, a Bridgestone dispõe de um departamento especializado em comércio exterior, um para compras locais e internacionais e ainda outro de exportação. “Todas as operações são gerenciadas pelo sistema SAP”, explica Bregeiro.
Para atender à sua fábrica de Santo André, no ABC Paulista, a Bridgestone mantém um centro de distribuição na cidade de Mauá, na mesma região. O abastecimento da fábrica de Camaçari (BA) fica por conta de um centro de distribuição dentro do próprio complexo industrial.
Infraestrutura
Assim como as demais empresas, a Bridgestone culpa a burocracia, a falta de espaço e a lentidão nos portos pela dificuldade em conseguir manter o ritmo de produção em suas fábricas.
Atualmente, o recebimento e o despacho dos produtos se dá pelos portos de Santos (SP) e Vitória (ES). “A empresa mantém acordos com fornecedores competentes que estão diretamente ligados às nossas necessidades para prestar um atendimento com eficiência e qualidade, procurando minimizar os problemas de falta de infraestrutura nos portos e aeroportos”, afirma Bregeiro.
O gerente de Compras comentou que a empresa tem adotado medidas para reduzir ou evitar custos desnecessários na área de logística. “Além de conseguir um melhor aproveitamento do frete, verificamos se a condição de compra está adequada ao frete FOB (Free On Board) ou CIF (Cost, Insurance and Freight)”, conta ele, que complementa: “Estamos constantemente em busca da otimização dos processos logísticos e de custos melhores”.
Sem quantificar, Bregeiro acrescenta que a Bridgestone conseguiu reduzir custos importantes com o melhor aproveitamento das cargas. “Trata-se de reduções que nos permitem o repasse para o produto final para enfrentar a concorrência dos produtos importados”, afirmou.
Pneus prontos em uma hora e meia
Com sede em Tóquio, no Japão, a Bridgestone, detentora da marca Firestone, é a maior fabricante mundial de pneus. Emprega atualmente 138 mil funcionários no mundo e tem operações em 26 países, com 190 fábricas, sendo 48 só de pneus e 142 de produtos diversos, como autopeças e semicondutores. Os pneus representam 80% de todo o negócio da companhia no mundo.
No Brasil, com cerca de 3.300 funcionários diretos, a Bridgestone mantém três fábricas: duas em Santo André, onde produz pneus de carga e molas pneumáticas, além de manter um centro técnico, e outra em Camaçari (BA), com produção diária de 8 mil pneus de aro 15, 16 e 17 para automóveis. Em São Pedro, no interior de São Paulo, está o campo de provas da companhia, operado em parceria com a Fórmula Truck.
Juntas, as duas unidades têm capacidade para produzir 40 mil pneus por dia. De Camaçari saem dois tipos de pneus: high performance e ultra-high-performance – para equipar as novas gerações de automóveis produzidos no Brasil, veículos esportivos que alcançam altas velocidades e picapes.
Na fábrica de Santo André, considerada a segunda maior unidade industrial da companhia japonesa no mundo e a primeira na América Latina, a Bridgestone concentra a produção de pneus para caminhões, ônibus, veículos industriais, agrícolas e máquinas fora de estrada. Nessa unidade são produzidos atualmente 22 mil pneus por dia, embora a capacidade seja para 34 mil. Do volume total, 7% são pneus para carga.
Para a produção dos pneus para caminhões, a Bridgestone consome uma hora e meia, em um processo total com oito etapas. Só a vulcanização, feita a uma temperatura de 282 graus, requer 50 minutos. A confecção de um pneu exige a utilização de dez componentes. Algumas das matérias-primas utilizadas, como as borrachas especiais, por exemplo, provêm da Ásia.
Ao todo, a companhia mantém 50 estações de montagem na unidade de Santo André, das quais 23 dedicadas aos pneus de cargas. Cada estação faz de 500 a 900 pneus por dia. A jornada de trabalho vem sendo cumprida em três turnos, durante sete dias por semana, em uma escala de 6x2.
Com base no projeto do PAC criado pelo governo federal para melhorar a malha rodoviária, além da recuperação do mercado interno e o maior acesso ao crédito, a Bridgestone estima para 2010 que o setor de caminhões chegue ao nível de 2008 e que a empresa tenha crescimento de 18% nas vendas de pneus no segmento de carga e transporte em relação a 2009. De acordo com os planos da companhia, nos próximos anos serão destinados investimentos de US$ 460 milhões no Brasil – o mesmo valor aplicado nos últimos oito anos.