Sonia Crespo, de São Paulo
Fundada em 1995 na cidade de Campinas (SP), a empresa de tecnologia da informação CI&T cresceu internacionalmente por meio de filiais em vários países e hoje tem mais de 35% de sua receita oriunda do exterior. A companhia mantém centros de desenvolvimento e pesquisas em Campinas e Belo Horizonte (MG), e também na China e na Argentina, além de unidades subsidiárias na Filadélfia (Estados Unidos), Londres (Inglaterra) e Tóquio (Japão).
Durante sua participação no Café Setorial de Comércio Exterior, realizado pela Amcham (Câmara Americana de Comércio) no final de maio em São Paulo (SP), o CEO da CI&T e um de seus criadores, César Gon, disse que o grande desafio, hoje, é o de consolidar uma empresa multicultural, que abarca profissionais de diversas localidades do mundo, articulando diversas culturas e diferentes geografias numa única proposta de valor. Veja, a seguir, a entrevista concedida ao Global Online.
Global Online: Quando começou o processo de internacionalização da CI&T?
César Gon: O conceito de internacionalização da CI&T nasceu com a própria empresa, em 1995. A premissa de criação era de que a companhia seria uma empresa global. Foi efetivamente a partir de 2001 que começamos a estudar nossa oferta para que fosse aderente aos mercados internacionais, com a criação de unidades no exterior. Nossa primeira subsidiária fora do País surgiu em 2005, na Filadélfia, nos Estados Unidos.
Global Online: Como a empresa equacionou sua participação no mercado doméstico e a criação da atual musculatura internacional?
Gon: Na realidade, a participação da CI&T no mercado interno vem crescendo bastante. O que fizemos foi conciliar esse crescimento – colocando o mercado internacional como um foco estratégico da empresa e, aí sim, distribuindo investimentos na expansão local e doméstica, que é mais simples do ponto de vista de desafio de competitividade – com o grande desafio de tornar a empresa uma rede global de unidades internacionais voltadas para atender nossos clientes. Em outras palavras, conseguimos conciliar a grande oportunidade existente no Brasil, pela atual pujança do mercado doméstico, com o objetivo estratégico de ter acesso aos maiores e mais competitivos mercados de TI.
Global Online: Qual o volume de capital humano brasileiro dentro da CI&T?
Gon: Hoje atuam nas nossas unidades cerca de 1.300 profissionais. Desse total, pelo menos entre 85% e 90% são brasileiros. A taxa de outras nacionalidades vem crescendo gradativamente pela expansão de nossas unidades na China, na Argentina e nos Estados Unidos. Nosso grande desafio é o de criar uma empresa multicultural: temos brasileiros, americanos, japoneses, chineses, indianos, argentinos – todos cooperando numa rede global de serviços.
Ao mesmo tempo é uma grande oportunidade de se criar uma empresa voltada para o desenvolvimento humano, base para conseguir articular diversas culturas e diferentes geografias numa proposta única de valor.
O fator humano está na base do desenho de atuação de longo prazo de uma empresa do setor de Tecnologia da Informação. Basicamente a capacidade de articular talentos em qualquer região do mundo, independentemente de suas raízes culturais, é a base competitiva do futuro de uma indústria que já é globalizada por natureza.
A nossa indústria (de TI) não reconhece barreiras físicas ou alfandegárias de países. Ela perpassa isso e está muito mais atrelada à própria rede social, que vai se tornando cada vez mais global.
Global Online: O custo da mão de obra especializada do setor é muito alto?
Gon: Sim, em algumas localidades é bastante alto; e em outras, nem tanto. Na Argentina, por exemplo, o atual salário do engenheiro de TI é a metade do valor cobrado no Brasil.
Global Online: Com quantos clientes trabalha a CI&T atualmente?
Gon: A CI&T trabalha hoje com 96 clientes, basicamente multinacionais, como Coca-Cola, Avon, Panasonic e Johnson & Johnson, além de grandes empresas nacionais como Vale, Embraer e outras.
Global Online: Qual é o share da empresa no Brasil?
Gon: A CI&T está entre as cinco maiores empresas nacionais que atuam em desenvolvimento de aplicações customizadas.
Global Online: Onde estão sediados hoje os grandes competidores mundiais do setor?
Gon: Na China e na Índia.
Global Online: Vocês têm planos de ir para a Índia?
Gon: Não é um foco de curto prazo. A estratégia atual é de atender ao mercado asiático por meio das nossas operações na China e no Japão. Já no médio prazo, pode fazer sentido complementar nossa teia de competências com uma unidade na Índia.
Global Online: Quais são os principais serviços oferecidos pela CI&T?
Gon: A empresa atua como provedora de soluções globais em Tecnologia da Informação. Trabalhamos basicamente com design e desenvolvimento de aplicações para grandes empresas e com grandes projetos estratégicos de TI.
Global Online: Quais são os principais mercados atuais da companhia?
Gon: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, no Brasil; fora do País temos a costa leste dos Estados Unidos e Tóquio, no Japão.
Global Online: Quais seriam os percentuais das receitas oriundas do exterior e do Brasil?
Gon: Hoje temos 35% da receita vinda de contratos fora do Brasil, basicamente numa proporção de 80% nos Estados Unidos, 10% na Europa e 10% na Ásia.
Global Online: Qual é a perspectiva de crescimento da CI&T para 2011?
Gon: A CI&T vem crescendo nos últimos dez anos em torno de 35% a 40% ao ano. Em 2010 crescemos 42% e para este ano estamos prevendo um crescimento da ordem de 35% a 40%. O faturamento da CI&T em 2010 foi de R$ 101 milhões.
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